• Diretas, Já!

    Vou confessar, quase nada do que acontece no Brasil de ontem pra cá me surpreende. Aliás, não surpreende muita gente por esse Brasil a fora. Ou alguém...

    Vou confessar, quase nada do que acontece no Brasil de ontem pra cá me surpreende. Aliás, não surpreende muita gente por esse Brasil a fora. Ou alguém em sã consciência seria capaz de pôr a mão no fogo por Michel Temer e Aécio Neves? Talvez o que me surpreende é que de diante de tudo que acontece nos últimos anos no Brasil com a operação Lava Jato, a cara de pau e o senso de impunidade de duas das “grandes” figuras políticas do país não tenham arrefecido um pouco a sanha de se corromper.

     

    Talvez o conteúdo das informações divulgadas desde ontem seja tão impactante, que deixemos de nos aperceber como se deu os episódios. O maior empresário do Brasil grava o presidente da República dentro da sede do governo, repito, depois de tudo aconteceu no país, e este cidadão (o presidente) não se intimida a corroborar com a obstrução da Justiça, indica um homem de sua confiança para burlar a legislação do país em favor de uma empresa e por isso receber uma mesada SEMANAL de R$ 500 mil reais, isso mesmo, meio milhão por SEMANA, de propina.

     

    O outro, que saiu das últimas eleições com praticamente metade dos votos do país, usa sua condição de réu na Operação Lava Jato, para pedir mais propina. E pasmem, indica um primo/comparsa de longas datas para receber o dinheiro ilícito e ainda adverte ao empresário: mande alguém que a gente possa matar antes de delatar.

     

    Falamos até agora do presidente do Brasil e do presidente do principal partido que dá sustentação a esse governo podre.

     

    Mas vamos para os dois presidentes das Casas Legislativas. Ambos investigados pelos mesmos crimes em que agora foram pegos com a boca na botija Temer e Aécio. Rodrigo Maia (DEM), presidente da Câmara e Eunicio Oliveira (PMDB), presidente do Senado, covardes, abandonaram o Congresso em silêncio para impedir o debate político.

     

    Dentro e fora do governo, o senso comum é que a situação de Temer é insustentável, principalmente depois que uma Operação da PF é deflagrada e confirma a parte do que foi divulgado ontem pelo jornalista Lauro Jardim, de O Globo. Ou seja, se a parte de cabe a Aécio está sendo confirmada, a de Temer, também deve ser verdade e apenas a prerrogativa do cargo que ocupa, ilegitimamente, lhe livra de acordar com um camburão na porta.

     

    Agora, em se confirmando a saída de Temer, ou por renúncia ou por impeachment, o Brasil não pode insistir no erro de eleger alguém de forma indireta pelas mãos de um Congresso podre, com a maioria de seus membros envolvidos nos mesmos escândalos.

     

    A única saída é a eleição direta, Diretas Já, e isso é possível sim, ao contrário do que dizem muitos.

     

    Basta que este Congresso, reúna o mínimo de decência que ainda resta, se é que resta, e aprove uma PEC que já tramita e que muda o dispositivo para escolha de um novo presidente em caso de vacância do cargo a partir do segundo biênio. Hoje, a escolha se dá forma indireta pelo Congresso, mas essa PEC de autoria de Miro Teixeira, prevê eleições diretas.

     

    Não há outra saída para o Brasil. Enquanto não tivermos um presidente eleito pelo voto popular, nenhum desses que está aí, poderá devolver o país aos trilhos.

     

    Diretas, Já!

    Fonte: Marcos Wéric

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