Na sentença, Moro quase pediu desculpa por condenar Lula

Ainda não tive tempo de analisar toda a sentença em que o juiz Sérgio Moro condenou o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, a nove anos e...

Ainda não tive tempo de analisar toda a sentença em que o juiz Sérgio Moro condenou o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, a nove anos e seis meses de detenção. Porém, pelo menos nas primeiras 30 páginas, é possível perceber um esforço tremendo do magistrado em justificar sua sentença. Na sentença Moro se explica, pondera e admite equívocos nos rumos do processo, todos (coincidentemente) que prejudicaram a defesa.

 

“Embora. Ainda que pareça. Mesmo que. Realmente. Pode parecer”, foram palavras usadas pelo juiz Sérgio Moro, em dezenas de páginas numa clara tentativa de justificar a condenação, que segundo, alguns amigos de várias vertentes que leram mais que eu, ou toda a sentença, não tem provas.

 

Moro se justifica e admite erro quando levantou o sigilo e divulgou uma conversa da presidenta da República, e por isso, levou uma enquadrada do Supremo Tribunal Federal, mas sem perder a pose, diz que o juiz não deve ser guardião de segredos de governantes, embora tenha que agir a margem da lei para revelar “esses segredos”.

 

Moro se justifica e admite erro ao divulgar conversas particulares do filho e da esposa de Lula alheio ao processo, ou seja, que nada tinha a ver com ação ou investigação, se tratava apenas de diálogo entre mãe e filho.

 

Moro se justifica e admite erro quando autorizou grampo num escritório de advocacia, algo que foi condenado veementemente pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, e devido a isso, 25 advogados podem ter tido conversas com seus clientes gravadas irregularmente. Moro alega que os procuradores acharam o telefone na internet e achavam se tratar do número da empresa de palestras de Lula. Porém, o próprio juiz reafirmou que foi informado via ofícios pela operadora que o telefone pertencia ao Escritório de Advocacia, mas pasmem, disse que não viu. Que é muito atarefado e por isso, os ofícios não foram “percebidos”.

 

Moro se justifica e admite erro na condução coercitiva de Lula. Mas diz que Lula estava prevendo a ação da operação e temia pela segurança dos agentes da Polícia Federal, como se meia dúzia de militantes pudesse ameaçar a PF.

 

Moro se justifica e admite erro no circo armado pelos procuradores do Ministério Público Federal para apresentar a denúncia contra Lula, no fatídico episódio do Power Point que foi ridicularizado tanto por quem defende Lula, quanto por quem ataca.

 

Por fim, Moro admite que foi Lula quem deu autonomia ao Ministério Público Federal e a Polícia Federal para se investigar, se apurar, se descobrir e punir, casos de corrupção que antes eram engavetados. Ele ressalta que foi Lula que mudou o critério de escolha do Procurador Geral da República, obedecendo o desejo da classe e nomeando o mais votado pelos procuradores, dando assim autonomia para se trabalhar e o resultado “tá” aí.

 

Como para bom entendedor, meia palavra basta, quanto mais 238 páginas. Moro quis dizer: desculpa Lula, não tenho prova, mas tenho que te condenar. 

Fonte: Marcos Wéric

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