• Ou mudamos, ou seremos mudados

    A frase que dá título a este artigo foi cunhada por ninguém mais, ninguém menos, que Ulysses Guimarães, no seu discurso de saudação aos deputados federais eleitos...

    A frase que dá título a este artigo foi cunhada por ninguém mais, ninguém menos, que Ulysses Guimarães, no seu discurso de saudação aos deputados federais eleitos para legislatura de 1991/1995 e me foi lembrada essa semana pelo deputado estadual, Rainiry Paulino, durante entrevista a mim concedida. Calhou bem com o tema que queria abordar essa semana neste prestigiado espaço tão generosamente cedido a este humilde jornalista. Mudança.

    A frase de Ulysses foi dirigida aos parlamentares do ponto de vista das práticas políticas que com certeza à aquela época já existiam, mas não eram do conhecimento da sociedade brasileira como agora as são. Infelizmente 26 anos depois, é que começamos a assistir uma tímida mudança neste aspecto, ao custo ainda de uma resistência absurda dos nossos políticos em manter as velhas práticas já condenadas por Ulysses. Estão sendo mudados, mas não querem mudar de jeito nenhum.

    Porém, a frase de ex-deputado peemedebista se aplica a todos os setores da nossa vida. Por mais reticentes que possamos ser com relação as mudanças, ou mudamos, ou seremos mudados. Quando mudamos, temos a opção de escolher mudar para melhor, ou mudar para pior. Quando somos mudados, geralmente é para melhor, porém, como foge ao nosso domínio, na maioria das vezes essa mudança chega um tanto tarde ou de uma maneira turbulenta. Mudar é uma característica intrínseca ao ser humano que está em constante evolução, embora alguns exemplares insistam em querer retroceder. Estes são engolidos pelo tempo.

    Já quando resolvemos mudar e não esperar para sermos mudados, nos deparamos com vários “fantasmas” que nos atormentam com o medo, principalmente do desconhecido. Vivemos numa zona de conforto, acomodados no nosso trabalho, na nossa casa, com nossas roupas, com nossos pensamentos e conceitos. Ultrapassar essa barreira do terreno já conhecido e se aventurar em novos mares, não é tarefa fácil, mas é extremamente necessária para continuarmos com o brilho dos olhos, com o frio na barriga e com o suor nas mãos, que só coisas novas nos provoca. Olhe para trás e veja se não foi justamente depois de sentir esses sentimentos e reações que você viveu os melhores momentos da sua vida.

    Ah, claro, tiveram as decepções também. As mudanças equivocadas ou que por algum motivo não lhe trouxeram o resultado desejado. Quando isso aconteceu, você tinha a segurança do caminho já percorrido, tinha para onde voltar e dali seguir em frente. Mas mesmo sem conhecer sua história, sou capaz de apostar um dedo do pé esquerdo (o mindinho, pode ser?), que a experiência da mudança frustrada enriqueceu sua vida como nenhuma outra experiência positiva. Ou seja, ao mudar, mesmo quando você perde, você ganha. Mas “peraí”, e qual o momento certo para mudar? Quando devemos deixar a segurança da zona de conforto e rumar ao desconhecido? Quando decidir que está na hora de viver novas experiências? Essas são respostas muito individuais e cada um deve avaliar o seu momento, mas posso deixar uma dica. Quando sua vida não lhe provocar mais brilho nos olhos, frio na barriga e suor nas mãos, pode ser um indicativo, que é hora de mudar e não esperar para ser mudado.

    Ah, e quem resiste a mudança a todo custo? Esse será mudado. Ou pelo tempo, ou por uma circunstância ou por uma pessoa. Restará a este correr atrás do tempo perdido e fazer dessa mudança imposta, um novo e melhor momento da vida.

    Fonte: Marcos Wéric – Publicado em A União

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