• O Conde já esqueceu Aluísio

    Uma das minhas maioires preocupações no jornalismo é ser justo. Persigo isso a todo instante, a cada nota. Por isso inicio essa destacando a importância que o...

    Uma das minhas maioires preocupações no jornalismo é ser justo. Persigo isso a todo instante, a cada nota. Por isso inicio essa destacando a importância que o ex-prefeito da cidade de Conde, Aluísio Regis, teve para que o município se tornasse um dos mais promissores da Paraíba. Aluísio é polêmico e alguns casos até violento e virulento. As vezez louco mesmo. Mas foi num instante deste de loucura que ele tomou uma decisão que mudaria para sempre o destino daquele município. Instituir a primeira praia de nudismo do Nordeste e atrair o olhar do mundo inteiro para as belezas do litoral sul da Paraíba. De lá pra cá, Tambaba foi a puxadora do desenvolvimento turístico do município.

    Porém, no mundo atual não existe mais espaço para a forma de fazer política de Aluísio. A política a base da chibata e da pistola, literalmente. 

    Após dois resultados desfavoráveis nas duas últimas eleições no Conde, este último mais emblemático e definitivo, o ex-prefeito parece ter percebido que o Conde, apesar de ser grato pelo que ele fez em três mandatos como prefeito, já o esqueceu. Virou a página. Não é mais refém da chibata, nem da pistola. 

    Hoje a arma que é usada é o giz e a voz que é ouvida é mansa, porém firme, de uma professora, que consegiu devolver a esperança ao povo condense e tem até então a compreensão daquela população que é preciso paciência para mudar a direção da roda, que girava para trás há algumas décadas, mas que a partir deste ano parou de rodar para trás e com certeza nos próximos anos vai rumar para frente numa velocidade impressionante.

    Talvez seja por isso, que o ex-prefeito Aluísio Regis, voltou a cena essa semana bem ao seu estilo. Denegrindo a imagem da professora Márcia Lucena (foto), prefeita eleita pelo povo de Conde em 2016. Aluísio percebeu que o seu tempo passou, que ele não terá mais a oportunidade de gerir o Conde, porque a mudança que houve no ano passado foi profunda e irreversível. 

    Num ato de desespero, o ex-prefeito partiu para o ataque a Márcia e sua família, mas não encontrou mais eco, porque agora só lhe resta, a chibata e a pistola, e nada mais. 

    Fórum Estadual de Gestoras repudia agressões à prefeita de Conde Máricia Lucena

    O Fórum Estadual de Gestoras de Políticas para Mulheres da Paraíba divulgou na tarde desta
    quinta-feira um documento em que a entidade se solidariza com a prefeita de Conde Márcia
    Lucena que sofreu no último final de semana atos de violência expressos em forma de
    discursos discriminatórios nas redes sociais e nos meios de comunicação pelo ex-prefeito
    Aluízio Régis”. As mulheres integrantes do Fórum advertem para o fato de que atitude do
    político legitima a violência de gênero.
    “Repudiamos a utilização do espaço da rádio comunitária, a qual tem responsabilidade jurídica
    e social, para a promoção da cultura do ódio e da incitação de crimes contra as mulheres”,
    afirmam as signatárias do documento referindo-se ao posicionamento da rádio Jacumã FM
    que veicula reiteradamente o discurso de ódio do ex-prefeito de Conde.
    No documento, elas afirmam que “Márcia Lucena vem enfrentando publicamente ataques
    violentos e misóginos que ferem os direitos humanos e a sua dignidade assim como as
    mulheres que compõem a sua equipe de trabalho, com abordagens discriminatórias
    relacionadas à sua condição de mulher. São atitudes de desrespeito e de violência veiculadas
    abertamente pelas mídias, assim como em diversos espaços sociais”.
    No documento, as gestoras informam que “somos um Fórum Estadual, composto por 50
    gestoras de políticas para as mulheres dos municípios paraibanos que, atuamos
    cotidianamente para proteger as mulheres e seus filhos, em situação de violência, inclusive
    com risco iminente de morte”, e que por isso “Alertamos que os insultos discriminatórios à
    prefeita Márcia Lucena, a partir do seu lugar de gestora pública e profissional, estimulam e
    reforçam uma conjuntura onde asmulheres são desqualificadas e aviltadas, legitimando a
    violência de gênero. Repudiamos,assim, todas as formas de violência contra as mulheres,
    sejam físicas, patrimoniais, psicológicas, sexuais, morais, entre outras”.
    Leia a íntegra do documento:

    O Fórum Estadual de Gestoras de Políticas para as Mulheres da Paraíba se solidariza com a
    prefeita do Conde, Márcia Lucena, ao repudiar quaisquer atos de violência expressos em forma
    de discursos discriminatórios nas redes sociais e nos meios de comunicação pelo ex-prefeito
    Aluízio Régis.
    Somos um Fórum Estadual, composto por 50 gestoras de políticas para as mulheres dos
    municípios paraibanos que, atuamos cotidianamente para proteger as mulheres e seus filhos,
    em situação de violência, inclusive com risco iminente de morte.
    Enfrentamos todos os desafios para construir políticas públicas de valorização da atuação
    pública e da participação social das mulheres, de enfrentamento a todas as formas de violência
    e para mudar uma cultura machista que (re)produz desigualdades entre homens e mulheres.

    Márcia Lucena vem enfrentando publicamente ataques violentos e misóginos que ferem os
    direitos humanos e a sua dignidade assim como as mulheres que compõem a sua equipe de
    trabalho, com abordagens discriminatórias relacionadas à sua condição de mulher.
    São atitudes de desrespeito e de violência veiculadas abertamente pelas mídias, assim como
    em diversos espaços sociais.
    Alertamos que os insultos discriminatórios à prefeita Márcia Lucena, a partir do seu lugar de
    gestora pública e profissional, estimulam e reforçam uma conjuntura onde as mulheres são
    desqualificadas e aviltadas, legitimando a violência de gênero.
    Repudiamos, assim, todas as formas de violência contra as mulheres, sejam físicas,
    patrimoniais, psicológicas, sexuais, morais, entre outras. No contexto da democracia e dos
    direitos humanos, afirmamos que a liberdade de expressão deve ser conectada com valores
    éticos e a promoção dos direitos humanos das mulheres. Não devendo jamais ser violado ou
    ultrajado. Assim como, repudiamos a utilização do espaço da rádio comunitária, a qual tem
    responsabilidade jurídica e social, para a promoção da cultura do ódio e da incitação de crimes
    contra as mulheres.
    Finalmente, nos colocamos solidárias e vigilantes no sentido de exigirmos que atitudes e ações
    machistas e misóginas sejam banidas do nosso cotidiano para que as mulheres possam exercer
    cargos e funções públicas com o respeito e a dignidade que merecem.
    Desta feita subscrevem:
    1. Gilberta Santos Soares – Secretaria de Estado da Mulher e da Diversidade
    Humana/Governo do Estado da Paraíba
    2. Ana Katharina Fernandes Paulino – Matinhas
    3. Ângela Maria Pereira de Holanda – Desterro
    4. Cecília de Lourdes Florêncio – Barra de São Miguel
    5. Concília Magda de Araújo Lopes – Pombal
    6. Elizabet Cristina Correira Gomes – Salgado de São Félix
    7. Elizangela Ferreira do Nascimento – Mamanguape
    8. Eloiza Batista Lima da Silva – Belém
    9. Emilene de Vasconcelos Dantas Lima – Cuité
    10. Fátima Cristina Silva – Frei Martinho
    11. Isabel Cristina Vasconcelos – Lucena
    12. Isânia Petrúcio Frazão Monteiro – Queimadas
    13. Jacyara Costa Maciel – Conde
    14. Janaína Izabel Fernandes da Costa – Várzea
    15. Joseane Macedo Santos Porto – Pedra Lavrada
    16. Kenira Amélia Dias – Cubati
    17. Laudeci Ferreira dos Santos – Sossego
    18. Laurecy Penaforte Vieira – Cajazeiras
    19. Letícia Barreto – Remígio
    20. Lídia de Moura Silva Cronemberger – João Pessoa

    21. Luciana Tenório Brunet – Catingueira
    22. Maria Dalva Balduíno dos Santos Donato – Junco do Seridó
    23. Maria do Socorro da Silva Araújo – São Mamede
    24. Maria Helena Bonfim – São José do Sabugi
    25. Marissé Veiga Machado – Santa Luzia
    26. Marli Aparecida Marinho – Sertãozinho
    27. Naldete Ramos Farias – Boqueirão
    28. Patrícia Aucinélia Alves de Oliveira – Baraúna
    29. Samara Prereira de Sousa – Cachoeira dos Índios
    30. Themis do Socorro Macedo Cavalcante Lima – Picui

    Fonte: Marcos Wéric

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