• Imprensa nacional elege Lira como o “homem da mala” na eleição da PB

    Um personagem é comum nas eleições da Paraíba a cada quatro anos. "O homem da mala". No lugar do voto, ele tem dinheiro. Geralmente é um empresário...

    Um personagem é comum nas eleições da Paraíba a cada quatro anos. “O homem da mala”. No lugar do voto, ele tem dinheiro. Geralmente é um empresário de sucesso que deseja (não sei por qual motivo) enveredar pela carreira política. Um caminho mais fácil de conquistar um mandato, já que a matéria prima (o voto) é produto escarço, é a suplência de senador. O site Valor Econômico trouxe uma matéria listando os “homens da mala” das eleições deste ano em todo o país, e na Paraíba, o “eleito” foi o senador Raimundo Lira, que chegou ao Senado, após posse do então senador Vital do Rêgo Filho no Tribunal de Contas da União. Lira era o suplente de Vital e investiu na campanha dele quase R$ 1 milhão.

     

    Confira a matéria do Valor:

    Seis senadores. Este é o número que deve sobrar de parlamentares no Salão Azul que não estarão diretamente envolvidos com a eleição em outubro. Dos 81 que compõem a Casa, além dos 54 senadores que precisam buscar a reeleição, nada menos que 19 dos 27 que detém mandato até 2023 vão concorrer – 17 pretendem sair para o governo em seus Estados e dois à Presidência da República.

    E irão às urnas na melhor das situações: se perderem, retornam ao cargo, algo que só o Senado, com seu mandato de oito anos, proporciona. Outros dois senadores vão coordenar campanhas.

    Na prática, com tanto candidato a governador e seguindo a tradição de alguns serem chamados para ministros do novo governo, o Senado, que já tem perdido protagonismo em relação à Câmara dos Deputados, pode começar a próxima legislatura em 2019 já com quase duas dezenas de suplentes. Ou seja, uma a cada 4 cadeiras seriam ocupadas por quem não recebeu voto diretamente.

    Apenas no Brasil, os suplentes são escolhidos pelos próprios titulares ou pelos respectivos partidos, o que reforça o uso do Senado como um “trampolim” para outros cargos. Em geral, os suplentes no Senado tendem a ficar restritos ao baixo clero no exercício do mandato. Sua escolha, contudo, tem motivação muito específica: dinheiro. Artigo dos pesquisadores Pedro Neiva e Mauricio Izumi, do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), mostrou que, entre 1998 e 2008, 34,5% dos suplentes que tomaram posse se tratavam de empresários.

    Da legislatura atual, homens de negócio de sucesso investiram pesado para verem os titulares eleitos e, posteriormente, por diferentes motivos, assumiram o mandato.

    Ataídes Oliveira, do PSDB, com patrimônio estimado em R$ 28,1 milhões, colocou R$ 1 milhão em sua campanha com João Ribeiro (PR) em 2010 em Tocantins. O titular faleceu em 2013 e o tucano tomou posse.

    Nomeados após as cassações de Demóstenes Torres (GO) e Delcídio Amaral (MS), os empresários Wilder Moraes (DEM, patrimônio de R$ 14,4 milhões) e Pedro Chaves (PRB, patrimônio de R$ 69 milhões) também gastaram em pleitos passados. Wilder, através da Orca Engenharia, doou R$ 700 mil na campanha do titular. Chaves pôs R$ 400 mil em seu antigo partido, o PSC, em 2010 e, em 2014, quando Delcídio concorreu ao governo do Mato Grosso do Sul, investiu R$ 1 milhão na campanha através de doações em seu nome, de sua mulher e de uma instituição de ensino da qual é proprietário. Delcídio não se elegeu, mas teve o mandato cassado em 2016, após ser preso por tentar obstruir as investigações da Operação Lava-Jato.

    Senador eleito em 1986 e afastado da política desde 1994, Raimundo Lira (PSD) assumiu a vaga de Vital do Rêgo Filho (MDB), nomeado ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) em 2014. Empresário do ramo de concessionárias e tendo declarado bens no total de R$ 54,3 milhões, Lira havia investido R$ 870 mil na campanha de Vital.

     

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