• O saldo das convenções

    Passado o final de semana de convenções partidárias que definiram as chapas que concorrerão as eleições de 2018 para governador, vice e senadores, é possível observar com...

    Passado o final de semana de convenções partidárias que definiram as chapas que concorrerão as eleições de 2018 para governador, vice e senadores, é possível observar com mais clareza o cenário que se desenha. Apesar de ser apenas o ponta pé inicial, as convenções servem para, além de definir as coligações, orientar o rumo, o tom e a força das campanhas majoritárias.

    Então vamos por partes, como o personagem dos filmes de terror.

     

    PSB

     

    O PSB realizou sua convenção no sábado e ousou. Ousou e por isso correu risco. O partido optou por realizar sua convenção na maior casa de shows da cidade. Tendo em mente que o governo caminha para os últimos meses de mandato e a repulsa da maioria da população pela política é grande, os girassóis correram o risco de mesmo colocando muita gente no Forrock, passar a impressão de que o evento teria sido um fracasso, ou seja, cinco mil pessoas para um evento político nos dias de hoje, é o mesmo que os grandes públicos dos tempos áureos do Maracanã. Mas dentro do local escolhido, poderia parecer público de segunda divisão do campeonato acreano.

     

    Porém como só quem ousa e corre risco consegue feitos memoráveis, o PSB conseguiu surpreender superlotando a casa de shows e deixando gente do lado de fora que não conseguiu entrar. O público oficial divulgado pela assessoria foi de 15 mil pessoas, a fora a organização e a pluralidade dos presentes. Nas fotos divulgadas e postadas por militantes nas redes sociais, foi possível identificar movimentos representantes dos índios, mulheres, negros e LGBT, entre outros.

     

    PSB demostrou força, impressionou, animou a militância e deu um recado aos aliados e adversários: não está para brincadeira nesta eleição. O mote da campanha também ficou evidente: continuidade de uma Nova Paraíba. A coligação repete o nome de 2014: A Força do Trabalho.

     

     

    PV

     

    O Partido Verde foi mais modesto e optou pelo antigo Clube Ástrea sob a superstição de que de lá Luciano Cartaxo  saiu para duas vitórias em João Pessoa e que daria certo com Lucélio Cartaxo também, irmão do prefeito que agora concorre ao cargo de governador do Estado. O local é pelo menos três vezes menor que o escolhido pelo PSB, daí já fica injusto a comparação, ou seja, mesmo que não se pudesse levantar o pé, a quantidade de gente presente não chegaria perto da marca alcançada pelos socialistas. O evento começou com ginásio cheio, mas aos poucos, o espaço foi ganhando buracos ao ponto de quando os principais oradores (Cássio e Lucélio) fizeram uso da palavra, o público era bem menor. Fotos e vídeos circularam na rede mostrando isso.

     

    O que chamou a atenção foram os discursos voltados a palavras como avanço, quando se espera de uma oposição é bater forte na mudança. Cada membro da chapa escolheu uma área para “bater”: pobreza, educação, saúde e segurança, sem se aprofundar nas críticas, nem nas soluções. O nome da coligação é “A Força da Esperança”.

     

    A força das máquinas das principais prefeituras do Estado, João Pessoa e Campina Grande, e a força política de partidos tradicionais como PP e PSDB, como personagens que sabem fazer política, como Cássio Cunha Lima e Aguinaldo Ribeiro, também são destaques da coligação, restando saber no decorrer da campanha o grau de engajamento de cada um.

     

     

    MDB

     

    Tendo em vista o cenário que se configurou entorno da candidatura do senador José Maranhão, pode-se dizer que a convenção emedebista cumpriu seu papel. Bem organizada com um cenário que passou a imagem que Maranhão não está só, apesar da dificuldade de montar a chapa, dificuldade essa confirmada ao final quando apenas um senador foi apresentado, o ex-governador Roberto Paulino, emedebista histórico, fiel a Maranhão e ao partido.

     

    O tema da campanha de Maranhão é: “Por que o povo quer”.

     

    Maranhão tá exprimido entre duas candidaturas com maior força política, uma representada pela continuidade do atual governo e outra pela oposição capitaneada pelos prefeitos de João Pessoa e Campina Grande, que não se candidataram e colocaram o irmão e a esposa, respectivamente. Tem o recall de três governos e 60 anos de vida pública sem máculas, aparece bem em todas as pesquisas internas, e aposta no tiro curto da campanha de 45 dias para chegar ao segundo turno.

     

    Em suma, as convenções não vencem eleições, mas repito numa eleição de tiro curto, todo detalhe deve ser levado em consideração, e é fato reconhecido por todos, que a convenção do PSB foi a que mais chamou a atenção neste momento.

     

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