• A resposta das urnas

    Como de costume, ao fim das eleições venho aqui externar minha leitura sobre o resultado do pleito, sobre o já tradicional título: A resposta das urnas. Sim...

    Como de costume, ao fim das eleições venho aqui externar minha leitura sobre o resultado do pleito, sobre o já tradicional título: A resposta das urnas. Sim as urnas falam, respondem, e elas, ao menos na Paraíba, nunca foram tão claras nas suas respostas. Só não entende agora, quem não quiser.

     

    Já em 2014, o governador Ricardo Coutinho (PSB), em debate com o senador Cássio Cunha Lima (PSDB), seu adversário na ocasião, alertou: A Política mudou, só tem espaço para quem trabalha. Isso ficou muito claro com o resultado das eleições deste ano.

     

    A vitória acachapante de João Azevêdo (PSB) em primeiro turno com mais de 58% dos votos, com mais de 600 mil votos sobre o segundo colocado, é a constatação clara, que o povo paraibano se acostumou ao trabalho. Cá pra nós, até mesmo os adversários reconhecem que o Governo Ricardo é operante.

     

    João venceu em 209 dos 223 municípios paraibanos. É um absurdo. Teve cidade que o socialista teve 97% dos votos válidos. Em João Pessoa, onde o irmão gêmeo do prefeito foi candidato, João venceu com mais de 20% de vantagem, o que representa mais de 77 mil votos. Em Campina Grande, onde a esposa do prefeito era candidata a vice-governadora, João perdeu, mas foi uma derrota que pode ser considerada uma vitória. Na rainha da Borborema, a oposição esperava vencer com mais de 70 mil votos de maioria. Venceu com apenas 6 mil.

     

    Chama a atenção ainda que o tão propalado projeto do PSB, parece ter entrado na cabeça do eleitor paraibano, tendo em vista o resultado eleitoral do grupo capitaneado pelo governador Ricardo Coutinho. Além da vitória na majoritária, o PSB fez uma bancada de oito deputados, dentre eles, nada mais, nada menos, que os quatro mais bem votados. O deputado federal mais votado é do PSB e o primeiro senador também.

     

    A derrota do senador Cássio Cunha Lima também é um resposta emblemática e simbólica das urnas. Cássio é o símbolo mais autêntico das velhas oligarquias políticas do Nordeste que já entrou na sua terceira geração. Cássio terminar uma eleição com duas vagas em disputa, sendo que ele estava em reeleição, em quarto lugar, é mais do que um recado, é uma resposta dura e direta, que ou se muda a forma de fazer política, ou vai para o limbo.

     

    Cássio se ausentou da Paraíba depois das eleições de 2014, acreditando ser o dono da metade dos votos da Paraíba. Foi um dos principais líderes do golpe (quem não concordar com o termo, leia impeachment), e isso lhe deu projeção nacional, mas lhe afastou do eleitorado da Paraíba, onde o PT é majoritário. Quase não participou das eleições municipais de 2016. Deu no que deu.

     

    O prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PV), tomou um choque de realidade. As vitórias de 2012 e 2016, talvez tenha lhe tirado um pouco da vida real, ele pensou que poderia mais do que realmente pode. Saiu de favorito na disputa para um dos grandes derrotados das eleições. Seu irmão perdeu a eleição, perdeu na cidade que ele governa, e perdeu na cidade que ele governa com 77 mil a menos. Seu principal aliado, fiel escudeiro, candidato da Prefeitura a deputado estadual, Zenedy Bezerra (PV), teve uma pífia votação de 13 mil votos. O eleitor não tolera falta de coragem na Política e não perdoou os prefeitos da Capital e Campina Grande, que correram da disputa, mas colocaram seus parentes na chapa.

     

    No Brasil, ah o Brasil. A esperança é de quem defende a democracia, a tolerância e a liberdade, consiga virar o jogo, já que quem estivesse disposto a votar em Bolsonaro, já o tenha feito primeiro turno.

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