13
Jul
2017

21:00

Na sentença, Moro quase pediu desculpa por condenar Lula

Ainda não tive tempo de analisar toda a sentença em que o juiz Sérgio Moro condenou o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, a nove anos e seis meses de detenção. Porém, pelo menos nas primeiras 30 páginas, é possível perceber um esforço tremendo do magistrado em justificar sua sentença. Na sentença Moro se explica, pondera e admite equívocos nos rumos do processo, todos (coincidentemente) que prejudicaram a defesa.

 

“Embora. Ainda que pareça. Mesmo que. Realmente. Pode parecer”, foram palavras usadas pelo juiz Sérgio Moro, em dezenas de páginas numa clara tentativa de justificar a condenação, que segundo, alguns amigos de várias vertentes que leram mais que eu, ou toda a sentença, não tem provas.

 

Moro se justifica e admite erro quando levantou o sigilo e divulgou uma conversa da presidenta da República, e por isso, levou uma enquadrada do Supremo Tribunal Federal, mas sem perder a pose, diz que o juiz não deve ser guardião de segredos de governantes, embora tenha que agir a margem da lei para revelar “esses segredos”.

 

Moro se justifica e admite erro ao divulgar conversas particulares do filho e da esposa de Lula alheio ao processo, ou seja, que nada tinha a ver com ação ou investigação, se tratava apenas de diálogo entre mãe e filho.

 

Moro se justifica e admite erro quando autorizou grampo num escritório de advocacia, algo que foi condenado veementemente pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, e devido a isso, 25 advogados podem ter tido conversas com seus clientes gravadas irregularmente. Moro alega que os procuradores acharam o telefone na internet e achavam se tratar do número da empresa de palestras de Lula. Porém, o próprio juiz reafirmou que foi informado via ofícios pela operadora que o telefone pertencia ao Escritório de Advocacia, mas pasmem, disse que não viu. Que é muito atarefado e por isso, os ofícios não foram “percebidos”.

 

Moro se justifica e admite erro na condução coercitiva de Lula. Mas diz que Lula estava prevendo a ação da operação e temia pela segurança dos agentes da Polícia Federal, como se meia dúzia de militantes pudesse ameaçar a PF.

 

Moro se justifica e admite erro no circo armado pelos procuradores do Ministério Público Federal para apresentar a denúncia contra Lula, no fatídico episódio do Power Point que foi ridicularizado tanto por quem defende Lula, quanto por quem ataca.

 

Por fim, Moro admite que foi Lula quem deu autonomia ao Ministério Público Federal e a Polícia Federal para se investigar, se apurar, se descobrir e punir, casos de corrupção que antes eram engavetados. Ele ressalta que foi Lula que mudou o critério de escolha do Procurador Geral da República, obedecendo o desejo da classe e nomeando o mais votado pelos procuradores, dando assim autonomia para se trabalhar e o resultado “tá” aí.

 

Como para bom entendedor, meia palavra basta, quanto mais 238 páginas. Moro quis dizer: desculpa Lula, não tenho prova, mas tenho que te condenar. 

Fonte: Marcos Wéric

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Todos do comentários (2)

Cícero | 31/12/1969

Essa sentença infundada que condena sem provas o Lula, proferida por um juiz manifestamente parcial, é uma das maiores injustiças já cometidas contra um homem público, Luis Inácio Lula da Silva, um homem sério, probo, íntegro, honrado, bom, justo e honesto.

Não há dúvidas de que o objetivo de todo esse conluio judicial e midiático contra o Lula é tão somente o de inviabilizar sua candidatura ao pleito presidencial que se avizinha, numa cruzada do mal que reúne as forças políticas mais reacionárias e pervertidas do país, juntamente com a Mídia golpista, o mercado financeiro e as elites nacionais, conluiados numa trama sórdida com o único propósito de impedir que Lula se candidate e, mais uma vez, seja eleito presidente do Brasil.

Todo o ódio das elites nacionais contra o Lula se deve ao sucesso do seu governo. Imaginavam que um ex-metalúrgico não tinha "capacidade" para governar um país. Enganaram-se redondamente. O governo Lula foi um sucesso total. Com Lula, a classe média aumentou seu poder de compra, milhares de famílias saíram da linha da pobreza, foram gerados milhões de empregos. Lula dirigiu seu governo para as classes menos favorecidas, até então excluídas e negligenciadas por FHC. Lula criou programas sociais e investiu em todos os campos da economia, levando o Brasil a figurar entre as dez maiores economias do Planeta. Lula fez muito em oito anos de governo. Ao final do seu mandato, a aprovação do ex-presidente foi extraordinária: 87% dos brasileiros julgaram ótimo o seu governo. Uma aprovação fantástica !!!

Isso fez intensificar o ódio que as elites nacionais já nutriam contra Lula. Então, a partir da vitória da presidenta Dilma em 2014, as elites fascistas instigadas pela Mídia dominante e movidas por sua intensa aversão aos pobres, começaram a uivar contra Lula e Dilma, como animais raivosos a expelir seu babo de ódio pelos cantos da boca. E quando perceberam que não poderiam vencê-los por meio do voto popular, então passaram a tramar o Golpe.

Com o Golpe, a democracia deu lugar à tirania, e pelas mãos dos usurpadores passou o Brasil a viver dias ainda mais difíceis e trevosos sem prazo para ter fim.

Direitos e garantias constitucionais já não vigem mais. Pessoas estão sendo condenadas e presas sem o devido processo legal. Pessoas são arrancadas dos seus lares e levadas coercitivamente ao cárcere com base apenas em delações, sem prova alguma que as incrimine.

“Prende-se para investigar, prende-se para fragilizar, prende-se para forçar a confissão e, por fim, prende-se para desgastar, subjugar, ameaçar e forçar a colaboração premiada”, conforme escreve o Professor Cezar Bitencourt (pós-graduação/PUC- RS).

Relativamente ao Lula, desde o início, o juiz Sergio Moro atuou contra Lula como juiz e acusador ao mesmo tempo, agindo assim como verdadeiro inquisidor, atuação essa própria do "sistema penal inquisitório", no qual o juiz, a um só tempo, acusa e julga o réu, como ocorria nos tempos sombrios da terrível Inquisição.

Devassaram a vida do Lula dia e noite sem parar, investigaram tudo, absolutamente tudo sobre o ex-presidente durante três anos de investigação e não encontraram nada que pudesse incriminá-lo. Então o juiz inquisidor - Moro -, transformou seu gabinete num tribunal de exceção e passou a julgar o Lula de forma abusiva e arbitrária, sem o devido processo legal, julgando-o e condenando-o ao arrepio da Lei, sem provas e sem fundamentos, baseado apenas em "convicções".

Mas os que perseguem o Lula não conseguirão denegrir a sua imagem nem apagar o sucesso do seu governo. Lula não é um Temer ou um Aécio que se pode destruir com jornalismo rasteiro. Lula é simplesmente o maior estadista da História do Brasil. Seus feitos e conquistas, enquanto presidente, já estão registrados de forma indelével na História, e não é um justiceiro disfarçado de juiz que vai destruir a sua biografia e degradar sua memória.

Se o STF não fosse uma corte omissa como é… Se fosse uma corte séria, isenta de politicagem, de conchavos e conluios… Se seus ministros observassem rigorosamente a Constituição Federal, já teriam avocado os autos desse processo contra o Lula por "suspeição" do juiz Moro, e concedido mudança de Foro para que o feito tramitasse em outro juízo. Mas o STF, de uns tempos para cá, deixou de ser uma Corte séria e se transformou num tribunal de conveniências políticas, que julga valendo-se de dois e duas medidas, a depender do nome do réu e a qual casta social ele pertença.

Aécio Neves, Loures e Geddel, mesmo com todas as provas materiais, foram absolvidos e até elogiados pelos magistrados. Já o Lula, sem prova alguma que o incrimine, foi condenado. É como dizia Maquiavel: "Aos amigos os favores, aos inimigos a Lei." Infelizmente, é este o critério usado por certos juízes no Brasil: para uns (sobretudo pobres), aplica-se a lei com todo rigor; para outros (ricos e poderosos), esquece-se a lei.

ESSA DECISÃO INFUNDADA, ARBITRÁRIA E ABUSIVA CONTRA O LULA É RESULTADO DE UM JULGAMENTO POLÍTICO, SEM PROVA ALGUMA E SEM FUNDAMENTO, COM O ÚNICO PROPÓSITO DE IMPEDIR QUE ELE SE CANDIDATE E, MAIS UMA VEZ, SEJA ELEITO PRESIDENTE DO BRASIL... JULGAMENTO ESTE QUE FAZ DESSE JUIZ DOGMÁTICO UMA DAS PÁGINAS MAIS SUJAS, INÍQUAS E TRISTES DA HISTÓRIA DO JUDICIÁRIO NACIONAL.

Nós somos o Povo, a força mais poderosa de uma República democrática, e nesse momento de seguidas e patentes agressões aos mandamentos da Constituição Federal, temos o direito de resistir e lutar, pacificamente que seja, pela restauração da Democracia, pelo restabelecimento da ordem social, pela reconquista da liberdade, pela reassunção da JUSTIÇA.

Querem calar a nossa voz - a voz do Povo -, mas não conseguirão.

Vale aqui, por oportuno, lembrar Maiakovski, poeta russo, que escreveu:

“Na primeira noite, eles se aproximam e colhem uma flor de nosso jardim, e não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem, pisam as flores, matam nosso cão e não dizemos nada.
Até que um dia, entram em nossa casa e rouba-nos a lua,
e conhecendo nosso medo, arrancam-nos a voz da garganta,
e porque não dissemos nada [antes], já não poderemos dizer mais nada [depois]”.

Glauco Gouvêa | 31/12/1969

Condenar sem nenhuma prova não é próprio de um juiz, mas de um canalha.

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