• O duplo “massacre” aos estudantes da UFPB, o histórico de protestos e o baixo nível da campanha

    Demorei a escrever sobre o episódio da ocupação da Reitoria da UFPB de proposito par ter tempo de ver os vários vídeos divulgados por ambos os...

    Demorei a escrever sobre o episódio da ocupação da Reitoria da UFPB de proposito par ter tempo de ver os vários vídeos divulgados por ambos os lados envolvidos, ouvir argumentos da gestão e dos alunos, lançar um olhar frio sobre o fato. Depois desse tempo de maturação fui capaz de perceber o duplo “massacre” ao que os estudantes em greve de fome foram submetidos.

     

    O primeiro “massacre” começou quando os estudantes em greve de fome foram sumariamente ignorados pela magnifica reitora, Margareth Formiga, durante longos cinco dias, sem qualquer sinal de abertura de diálogo. Talvez a magnifica, que é médica e sabe mais que ninguém, os riscos que corre o sujeito que fica cinco dias sem comer, não acreditasse na força dos ideais dos grevistas, tanto que justificou o fato de não negociar por que um dos grevistas é beneficiário do programa de aluguel social. O que a reitoria não sabia ou não entendeu é que o rapaz poderia ser beneficiário, mas não é egoísta.

     

    Quando viu que o negócio era sério, a reitora decidiu colocar o vice-reitor para ouvi-los. Com todo respeito aos vices, mas nem o vice-presidente da República tem resolvido nada, quanto mais um vice-reitor.

     

    Quando finalmente decidiu sentar para ouvir os estudantes, depois que um deles inclusive foi parar no Hospital, como não tem o habito de negociar, embora administre um orçamento bilionário e lide com milhares de pessoas direta e indiretamente, encerrou a conversa com uma rabiçaca e se dirigiu aos seus aposentos reitorais.

     

    A partir daí, acho que todos conhecem a história e os excessos, que poderiam ter sido evitados com um pouco mais de boa vontade para o diálogo, devem ser condenados.

     

    O segundo “massacre” aos estudantes está sendo praticado pela mídia, que trata o caso, com raras exceções, de forma desonesta e desigual, conforme atestado o próprio Departamento de Jornalismo da UFPB em nota.

     

    Histórico de protestos

     

    A reitora e seus aliados taxam o movimento de política e que está sendo usado e orquestrado pela oposição e alega que nunca enfrentou protestos durante sua gestão. Ora, essa última afirmação da reitora não resiste uma breve e simples pesquisa no google.

     

    Para não me alongar mais do que já estou me alongando até pela relevância do tema, vamos a alguns protestos enfrentados pela atual gestão da UFPB, de setores diferentes, reinvindicações diferentes.

     

    Julho 2013 – Estudantes do campus 4, Rio Tinto e Mamanguape, iniciam protesto pela abertura da residência universitária e o Restaurante Popular.

     

    Agosto de 2013 – O aluno João Neto, aluno do curso de Design de Produtos, é atropela pelo carro em que estava a reitora após uma reunião para tentar por fim ao movimento iniciado um mês antes no Campus 4.

     

    Maio de 2014 –  Estudantes do curso de Odontologia da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) entraram em greve por tempo indeterminado, no campus I de João Pessoa, com o objetivo de pressionar a reitoria da universidade para solucionar a falta de estrutura e volta de aulas práticas nas clínicas.

     

    Fevereiro de 2015 – Pouco mais de 100 estudantes invadiram o prédio da reitoria da UFPB em João Pessoa. Eles moram na residência universitária e fizeram um protesto contra o atraso no pagamento de um auxílio-moradia de R$ 220. Segundo alguns dos manifestantes, os atrasos vem ocorrendo desde dezembro de 2014.

     

    Março 2015 – Estudantes ocupam a reitoria protestando contra cortes no orçamento da instituição, atraso no edital do auxílio moradia, redução de vagas para o Restaurante Universitário e pedindo abertura de diálogo com a reitoria da universidade. 

     

    Outubro de 2015 – Um grupo de estudantes da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) saiu do prédio de Centro de Energias Alternativas e Renováveis (CEAR) em direção a Reitoria para protestar contra a paralisação nas obras do prédio, que faltam apenas 9% para serem concluídas. 

     

    Como se vê, Margareth conviveu com protestos e ocupação do primeiro ao último ano do seu mandato.

     

    Baixo nível da campanha

     

    É claro que a reitora não tem nada a ver com isso, mas com certeza seus simpatizantes ou assessores, passaram do ponto, quando partiram para o uso da família do candidato Luiz Júnior, alegando que filha do professor estaria orquestrando o protesto, por que estava lá como jornalista e ativista. Usaram até imagem do filho menor de Luiz, de apenas 8 anos. Inadmissível.

     

    Confira a resposta de Sarah Sarmento para a acusação. 

    Fonte: Marcos Wéric

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